"Àqueles que nos perguntam se vamos
fazer acordo com o PS, a resposta tem três letras: NÃO",
reafirmou Francisco Louçã num comício que juntou mais de 600
pessoas na avenida Central de Braga na noite desta terça-feira.
Louçã insistiu que o Bloco tem uma só palavra e que essa decisão
responde aos professores, aos desempregados, aos reformados, aos
jovens vítimas das políticas do governo de José Sócrates.
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Àqueles, como Morais Sarmento, que
falam num "acordo secreto" do PS com o Bloco, o coordenador do
Bloco de Esquerda responde que quem tem "pactos secretos, públicos
e semi-públicos" são o PS e o PSD: "No Código do Trabalho
estiveram de acordo, as leis da Justiça foram feitas pelos dois. Nas
privatizações estiveram de acordo. Estiveram juntos a votar contra
a proposta de lei do Bloco para garantir o direito de reforma
integral ao fim de 40 anos de descontos".
Ainda sobre a acusação do PSD de
existir um acordo secreto entre PS e Bloco, Louçã recordou que ela
já tinha
sido feita por Pedro Santana Lopes em 2005, também nas vésperas
das eleições. "Inventem mentiras novas", desafiou. "Não
mantenham sempre as velhas mentiras."
Louçã classificou a campanha do PSD
como um "cortejo triste" de quem está totalmente desesperado e
sem ideias: "O PSD inventou escutas, quebras de protocolo, e vai
saltitando de inventona em inventona, como se isso lhe pudesse animar
a campanha, tão mal que isto está que hoje foi Pacheco Pereira que
veio dizer que Cavaco Silva quer a derrota de Manuela Ferreira
Leite".
"O Bloco de Esquerda sairá das
eleições com uma força que nunca teve, responsabilidades que nunca
teve. É preciso contar com todos e com todas, a vossa palavra é que
vai fazer a diferença", concluiu o coordenador do Bloco de
Esquerda.
Antes de Louçã, falou o
cabeça-de-lista às legislativas do distrito, Pedro Soares, que
defendeu o fim do monopólio do PS e do PSD sobre a bancada eleitoral
de Braga. "Os deputados do PS eleitos por Braga viraram as costas
para a emergência que vive o distrito e recusaram-se a votar as
propostas de plano de emergência apresentados pelo Bloco", acusou
Pedro Soares, enumerando que há 60 mil desempregados no distrito e
mais de 20 mil pessoas no limiar da pobreza. O Bloco de Esquerda,
defendeu, quer levar os problemas do distrito à Assembleia da
República com a eleição de uma representação parlamentar.
O comício, que contou com uma actuação
de Fernando Tordo que empolgou os presentes, foi aberto por João
Delgado, cabeça-de-lista para a autarquia bracarense, que defendeu
que o voto útil em Braga é o que elege um vereador do Bloco, pondo
fim à maioria absoluta do PS. "Mesquita Machado foi uma nódoa de
30 anos em Braga que é preciso acabar."
Falou também a deputada Ana Drago, que
defendeu que o país está farto de rotativismo PSD-PS, e que precisa
de luta, justiça e solidariedade. Ana Drago relatou que cumpriu um
programa de visitas às escolas de Viana do Castelo e encontrou um
cenário desastroso, com inúmeras professoras que apesar da
penalização pediram a reforma, por estarem cansadas de serem
insultadas pelo governo PS. "Mas há outras que não desistem",
garantiu. E dedicou uma palavra aos professores que pensam votar útil
em Manuela Ferreira Leite, recordando a passagem da actual Líder do
PSD pelo Ministério da Educação e a política de privatização da
saúde e da educação, que é "o programa escondido" do PSD.
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