quinta, 12 março 2015 13:24

A urgência do que está por fazer

Conferência Joverns do BlocoContributo de João Mineiro.

 

Em 16 anos de existência o Bloco tem sido o melhor instrumento de que dispomos na sociedade portuguesa para animar reflexões estratégicas e potenciar as lutas políticas e sociais mais decisivas. Sem o empenho e a generosidade de tantas e tantos ativistas do Bloco, nada seria como é hoje na sociedade portuguesa. A precariedade não teria a visibilidade que hoje tem e não se teria transformado, como transformou, num elemento estruturante de reconhecimento e ação coletiva. A luta estudantil dificilmente teria sido alimentada com focos de resistência que procuram contrariar as derrotas dos últimos anos. As lutas pelos direitos LGBT e pela liberdade sexual não teriam a expressão e as conquistas que tiveram. Dificilmente teria havido luta anti-proibicionista como houve nos últimos anos. A generosidade de construir, todos os dias, um partido aberto à sociedade, criativo no olhar sobre as lutas sociais, dinâmico na capacidade de ação tática e ofensivo na necessidade de ser um instrumento de lutas setoriais, mas também de sínteses políticas, anima todas e todos os jovens do Bloco para as tarefas que temos pela frente nos próximos dois anos.

Mas o que precisamos hoje não é de uma celebração do passado, levantando bandeiras e reivindicando todas as vezes em que tivemos razão. O que precisamos mesmo é de responder uma pergunta simples, já tantas outras vezes perguntada na história. Perante o estado de destruição a que a elite financeira e política condenou o país, que fazer? A resposta a essa questão é o que decidirá a relevância política dos jovens do Bloco nos próximos dois anos. Vamos mesmo ter capacidade de construir o que falta existir numa sociedade asfixiada pela austeridade ou iremos resumir-nos à política para dentro, às iniciativas nas sedes e à radicalização sem alargamento? É em torno dessa escolha que temos de olhar para as nove prioridades que muito lucidamente a Lista A propõe como eixos de ação para a juventude. Conseguimos ou não construir respostas sociais expressivas em torno delas fora do Bloco? Conseguimos ou não alargar a nossa escala de ação em cada uma delas? Queremos ser essa força mobilizadora de influência maioritária na sociedade ou achamos que vivemos um tempo de derrota e só nos resta garantir a identidade, fechados em sedes, até melhores dias que virão?

A Moção que se apresenta a esta Conferência é um coerente ponto de partida para responder a essas questões. Por vários motivos. O mais importante é o de que procura olhar com rigor para o que significaram estes anos de austeridade na vida e na dinâmica da juventude portuguesa e propõe em torno dessa leitura nove prioridade de ação política na sociedade. Mais igualmente importante foi a capacidade de se ter feito uma moção unitária e plural, colocando a política no comando e mobilizando toda uma nova geração de incansáveis ativistas do Bloco na rua, nas dinâmicas concretas do movimento social e na construção quotidiana do partido. A lista que se apresenta à Coordenadora é exemplo de renovação, coerência, experiência ativista e frescura política. E a lista de subscritores e de pessoas envolvidas na moção são a melhor esperança ao futuro da luta pela emancipação da juventude portuguesa.
O tempo dos próximos dois anos será de uma intensidade imensa. Vai exigir lucidez sobre as prioridades estratégicas da Coordenadora, mas também capacidade tática para nos adaptarmos a uma situação política que estará em ritmo acelerado. Mas vai exigir sobretudo capacidade militante de base para organizar milhares de pessoas. Não tenho dúvidas que estamos prontas e prontos para a urgência dessa tarefa, para a urgência do que está por fazer.
 

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