quinta, 12 março 2015 17:50

Jovens do Algarve

Conferência Jovens do BlocoContributo de Luís Casinhas

Portugal encontra-se mergulhado numa crise financeira provocada pela Banca como nunca se tinha visto na história da democracia desde que esta vigora no nosso país. O arco da governação, de onde fazem parte, desde há 40 anos, PS, PSD e CDS, em nada tem contribuído para que possamos ter alguma dignidade enquanto povo e enquanto pessoas que trabalham e cumprem os deveres que têm como cidadãos.

A aterragem da Troika em Portugal fez com que o que estava bem ficasse mal e com que o que estava mal ficasse ainda pior. As consequências são visíveis, mas o presente texto irá cingir-se apenas aos jovens do Algarve.

O Algarve é uma zona de turística, sendo que é nessa atividade que uma parte da população se debruça e é dela que ganha os seus rendimentos. Os jovens que lá vivem todo o ano aproveitam, na maioria, para trabalhar durante o Verão pois é nos meses de Junho, Julho e Agosto que a sazonalidade se verifica. Não obstante, quando a época balnear acaba, o turismo morre e os trabalhos que tinham chegam ao fim.

Os cortes decorrentes das políticas de austeridade às quais nos sujeitaram em nada fomentaram o crescimento da zona. Pelo contrário: impediram o seu desenvolvimento fazendo com que a oferta de emprego caísse ainda mais do que o que caía.

Os jovens algarvios que não iniciam ou que não continuam os seus estudos a nível do Ensino Superior – nalguns casos devido à incapacidade de suportar os custos que daí advêm – normalmente têm três opções: ficam em casa dos pais e são sustentados pelos mesmos durante o resto do ano, sem estudar, até começar de novo a época acima referida; ficam na casa dos pais porque conseguem começar a trabalhar mas com os famosos contratos emprego-inserção (que não “são contratos porque não há qualquer vínculo”, não “são emprego porque não pressupõem salário”, não “são inserção porque nunca são inseridos nos quadros”) e, por isso, não conseguem ter a sua independência; ou então, deparados com a falta de trabalho e com a ausência de um leque de soluções que lhes permita ultrapassar a barreira da sazonalidade, emigram – visto que irem trabalhar para outra parte do país não é possível porque o trabalho também não existe ou porque tal situação não lhes traz grandes perspetivas de vida –, deixando família, amigos e sonhos que tinham para trás, sendo que muitos deles já não retornam a casa dado que as condições de vida que têm fora de Portugal são melhores e estão de acordo com o que seria esperado terem no seu país natal. E esta é mesmo a realidade de todos os anos.

Ainda assim, também existem obstáculos que quem sai de casa e ingressa numa Faculdade fora do Algarve tem de conseguir enfrentar e gerir e que podem ter a ver diretamente ou indiretamente com as medidas de austeridade implementadas. Quase não há apoios aos estudantes pela parte do Estado, as propinas estão cada vez mais altas, o preço dos transportes também não é favorável e compete-se bastante na maioria dos cursos porque só o melhor consegue chegar a algum lado quando tentar a sua sorte no mundo laboral (dadas as circunstâncias económico-sociais a que chegámos). Continua a insistir-se em programas académicos demasiado extensos, com essências puramente ideológicas e características dos partidos que nos têm governado, não havendo espaço para a alternativa, para o pensamento crítico e para reter o que é essencial e as condições físicas das faculdades não lhes permite a funcionalidade que é necessário que tenham. A juntar a tudo isto, tal como acontece com as propinas, o aluguer de quartos ou casas é muito elevado para a capacidade financeira das famílias dos estudantes, tornando-se difícil ficar longe do local de onde vêm por muito tempo – o abandono universitário tem sido enorme e o abandono devido à incapacidade de suportar as despesas que advêm de tirar um curso fora de casa ainda maior é. Quem tira um Curso Superior fora da zona do Algarve, mesmo que queira lá voltar não o pode fazer porque não existem oportunidades.

O futuro para os jovens é incerto. E é por isso que o Bloco no Algarve é tão importante, com presença nas ruas e nas Escolas Secundárias, nas quais se criem núcleos formados por pessoas bloquistas desta faixa etária, dinamizando-as com debates, entre outras atividades. Este partido político fez e quer continuar a fazer um trabalho articulado com jovens, de partilha e interpenetração de ideias e, sobretudo, de proximidade, para que possam olhar em frente e ter esperança que tudo melhore. O Bloco valoriza a juventude com tudo o que pode.

Se há muito para fazer? Há, com certeza! Mas cá estaremos.

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