segunda, 14 agosto 2006 19:48

MADEIRA, AGRADECIMENTO DE TRABALHADOR QUE FEZ GREVE DA FOME

odilionobrega060812Odílio Nóbrega obrigou a empresa a ceder após fazer 100 horas de greve da fome. A sua luta foi contra um processo disciplinar que a empresa lhe instaurou. Na sua carta de agradecimento refere: "desconhecia quantas atrocidades são cometidas, diariamente, contra o povo e os trabalhadores desta região, isto, por aqueles que eu, brandamente, já tinha cognominado de instalados."
Notícias no portal Esquerda:
aqui e aqui

CARTA DE AGRADECIMENTO

Caríssimos camaradas e amigos

Venho com esta carta manifestar a minha profunda gratidão para com todos quantos manifestaram a sua solidariedade para comigo. 

Como é do vosso conhecimento, encetei uma jornada de manifestação pública, de indignação perante a enorme prepotência adoptada pela OTRS - Operadora da Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos da Meia Serra - consumada com perseguição e tentativa de opressão. Tendo esgotado todas as formas que, no meu entender, podiam ter sanado e solucionado todo este conflito, decidi, através de uma greve de fome e de profilaxia medicamentosa que durou cerca de 100 horas, manifestar-me contra a nítida inoperância do "sistema".

Jamais imaginei que, apesar de tão indigno, fosse bafejado por tão avultada manifestação de solidariedade. À medida que as horas passavam eram cada vez mais aqueles que se identificavam e reviam na minha luta. Efectivamente, desconhecia quantas atrocidades são cometidas, diariamente, contra o povo e os trabalhadores desta região, isto, por aqueles que eu, brandamente, já tinha cognominado de instalados.

O que de início era um caso circunscrito depressa se revelou uma verdadeira causa, digna de defesa popular. O meu caso tornou-se tão insignificante perante os relatos que me foram feitos, mormente, na primeira pessoa, e registados na minha alma. Assim, o que se me deparava como um cataclismo na minha vida transformou-se na mais valiosa lição de vida, passando a ser fonte viva do meu sustento.

Se por um lado sentia que o corpo desfalecia, por outro o espírito reclamava a constante interacção com o povo. Em todos os momentos a rua afeiçoou-se -me como o mais doce lar, onde somente se consegue encontrar o autêntico acolhimento fraternal, nunca, em tempo algum, senti-me tão próximo dos meus.

Todas estas inequívocas manifestações de solidariedade e os ternos olhares de desespero dos meus conterrâneos levaram-me a assumir publicamente, a 10/08/2006, perante DEUS e os Homens, que dedicaria o resto dos meus dias a defender e a lutar em prol dos perseguidos e oprimidos. Admito que ainda não delineei os métodos e as técnicas que utilizarei na implementação do meu intento, porém, para os mais cépticos e para os que deduziram tratar-se de uma alucinação originada pela fome, carece reiterar o assumido. Não descansarei enquanto não for restituída a SOBERANIA e LIBERDADE ao POVO.

O supra assumido revestiu-se de maior formalidade verificando-se o covarde silêncio a que a Valor Ambiente S.A., Governantes da RAM e alguns partidos políticos se remeteram. Afinal quem é que defende os lobbies? Parece-me que são muitos os que comem à mesma mesa, não obstante a camisola que vestem.

Verificando-se o agravamento do meu estado de saúde com imediata necessidade de assistência médica, que perdurou 24 horas, e envio do ofício da Inspecção Regional do Trabalho que dava conta da intenção da empresa em retomar as reuniões no próximo dia 28, decidi, por bem, suspender a greve de fome. Aliás, a aludida só se verificou em virtude da recusa da empresa em prosseguir a via do diálogo.

Apesar de ainda encontrar-me em convalescença e das recomendações dos médicos, incumbe-me a obrigação de proceder ao mais sincero agradecimento a todos vós que com a vossa inabalável solidariedade me destes forças para superar esta provação.

Nos meus sinceros agradecimentos gostaria de salientar o papel da minha família, dos meus amigos, das Confederações Sindicais, Federações Sindicais, Sindicatos, União dos Sindicatos, Delegações Sindicais que me apoiaram através dos seus Dirigentes, Delegados, Funcionários e Activistas os quais foram incansáveis. Não poderia esquecer todas as associações particulares, nacionais e regionais, à excepção da associação de deficientes da RAM que ainda não teve a coragem para se prenunciar. Em relação aos partidos políticos a minha gratidão dirige-se ao PCP - Madeira e ao Bloco de Esquerda - Madeira, pois, os restantes não tomaram posição, é normal que, a dois longos anos das próximas eleições, certos hipócritas esqueçam que é o povo que os elege e de forma muito particular os trabalhadores.

Todavia, o que mais me sensibilizou foi a demonstração de solidariedade preconizada por milhares de cidadãos anónimos, provenientes dos vários continentes e das mais variadas nacionalidades, com óbvio destaque para os meus conterrâneos.

É com eterna gratidão e profundo reconhecimento que agradeço a todos os supracitados esperando não ter esquecido ninguém.

Bem hajam em solidariedade   

Funchal, 14 de Agosto de 2006

Odílio Nóbrega 

Partilhar


XI Convenção do Bloco de Esquerda

Propostas do Bloco para a habitação

Autarquias

adere

Vídeos

Tempo de Antena - Março 2018

resolucoes

 

videos bloco

 

tempos antena

Esquerda Europeia