domingo, 02 julho 2006 20:15

Coimbra

Capital Europeia da Cultura 2012. Resta saber como
Na reunião da Assembleia Municipal de Coimbra, realizada ontem (20/6), o Bloco de Esquerda apresentou uma moção exigindo à Câmara a preparação da candidatura a Capital Europeia da Cultura 2012, e afirmando o "desenvolvimento assente na dimensão criativa da economia, incluindo ciência e engenharia, pesquisa e inovação, e as indústrias baseadas na tecnologia, nas artes, na cultura, no conhecimento, no património e no turismo" como "objectivo primordial para a cidade".
Artigo de Catarina Martins, deputada municipal do Bloco, publicado no diário "As Beiras" de 23 de Junho de 2006.

Artigo de Catarina Martins, deputada municipal do Bloco, publicado no diário "As Beiras" de 23 de Junho de 2006. Aceda aqui à intervenção e moção apresentada na AM de Coimbra

Tentámos, assim, concretizar uma das mais importantes apostas programáticas apresentadas ao eleitorado em Outubro. Nenhum dos outros partidos mencionou, na altura, a posição a tomar em relação à próxima Capital Europeia da Cultura. O BE, porém, definiu-a com clareza: "não somos especiais adeptos deste modelo ‘eventista' de política cultural, sabemos por experiência própria que uma Capital mal preparada significa, mais do que uma oportunidade perdida, dar passos atrás no desenvolvimento cultural. E, no entanto, as capitais existem. É através delas que o poder central (nacional e comunitário) constrói parte significativa da sua intervenção cultural e é através delas que se pode captar para as cidades e regiões fundos que, de outra maneira, nunca virão.

Cabe às cidades preparar convenientemente as candidaturas e trabalhar de forma atempada para que estas iniciativas possam deixar algo de duradouro [...] a posição da nossa candidatura é, portanto, a de que Coimbra deve candidatar-se à realização da Capital da Cultura e de que essa candidatura deve começar a ser preparada desde já, com uma ampla participação de todas as forças políticas, das diversas instituições de ensino, dos vários agentes culturais, da sociedade civil em geral. Até 2012, temos o tempo necessário para inventariar necessidades, mobilizar as cidadãs e os cidadãos, captar financiamentos, programar, planear e projectar espaços e equipamentos - estruturando, em suma, uma política cultural a médio prazo, na qual a Capital Europeia da Cultura, não sendo o objectivo último, é um pretexto, um marco simbólico, um projecto galvanizador."

Na AM, a coligação PSD-PP-PPM, apresentou uma moção aprovando a "solicitação ao governo da apresentação da candidatura de Coimbra a Capital Europeia da Cultura 2012". Aprovámos esta moção, pois corresponde a um objectivo comum. Contudo, deixou-nos inquietos. Na moção, como na intervenção do Presidente da Câmara, lemos uma rendição à inevitabilidade de concorrer para não perder os investimentos que, de outra forma, serão atribuídos a outras cidades (que há muito se estão a preparar), a convicção de que bastam os pergaminhos de terceira cidade do país para fundamentar uma candidatura passiva e mendicante, que resultará num fracasso, o qual será, mais tarde, atribuído à injustiça do governo, e não à falta de mérito da candidatura. Outra atitude nos parece indispensável: a de uma inflexão na política camarária, assumindo a cultura como vector primordial de desenvolvimento, e a respectiva gestão de uma forma dinâmica, arrojada, participada e estruturada a médio e a longo prazo.

E a apresentação de uma candidatura de excelência que não só seja meritória da escolha do estado central, como constitua o desencadear do projecto de futuro de que a cidade há muito necessita.

Tomada que foi, pela maioria política na CMC e na AM, de forma tardia e atabalhoada, a decisão de concorrer a Capital Europeia da Cultura, cabe aos cidadãos e às cidadãs mobilizar-se para que esta seja uma verdadeira oportunidade de desenvolvimento para a cidade. Pela nossa parte, tudo faremos para que assim seja.

Catarina Martins
Deputada do BE na Assembleia Municipal de Coimbra

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